John Stott

“De um certo modo, os cristãos consideram esta busca de uma cultura alternativa um dos mais promissores, e até mesmo exci­tantes, sinais dos tempos. Pois reconhecemos nisso a atividade do Espírito, o qual, antes de confortar, perturba; e sabemos a quem a busca deles conduzirá, se quiserem encontrar a resposta. Na verdade, é significativo que Theodore Roszak, encontrando dificuldade para expressar a realidade que a juventude contem­porânea procura, alienada como está pela insistência dos cien­tistas quanto à "objetividade", sente-se obrigado a recorrer às palavras de Jesus: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?"

Mas, ao lado da esperança que esta disposição de protesto e busca inspira aos cristãos, há também (ou deveria haver) um sentimento de vergonha. Pois, se a juventude de hoje está à procura das coisas certas (significado, paz, amor, realidade), ela as tem procurado nos lugares errados. O primeiro lugar onde deveriam procurar é um lugar que normalmente ignoram, isto é, a Igreja. Pois, com demasiada freqüência, o que vêem nas igrejas não é a contracultura, mas o conformismo; não uma nova sociedade que concretiza seus ideais, mas uma versão da velha sociedade a que renunciaram; não a vida, mas a morte. Prontamente endossariam o que Jesus disse de uma igreja do primeiro século: "Tens nome de que vives, e estás morto".

Urge que não somente vejamos, mas também sintamos, a grandeza dessa tragédia, pois, na medida em que uma igreja se conforme com o mundo, e as duas comunidades pareçam ser meramente duas versões da mesma coisa, essa igreja está contra­dizendo a sua verdadeira identidade. Nenhum comentário po­deria ser mais prejudicial para o cristão do que as palavras: "Mas você não é diferente das outras pessoas!"

O tema essencial de toda a Bíblia, desde o começo até o fim, é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo; que este povo é um povo "santo", separado do mundo para lhe pertencer e obedecer; e que a sua vocação é permanecer fiel à sua identidade, isto ê, ser "santo" ou "diferente" em todo o seu pensamento e em todo o seu comportamento.”

Minha opinião:

Concordo plenamente quando Stott indica um dos motivos pelos quais o jovem não busca na igreja essa tal “contracultura”: o conformismo e a semelhança que a igreja contemporânea tem com as práticas do mundo.

Todos os dias me deparo com novas, porém antigas práticas. Novas por nos surpreender a cada dia. Antigas por fazerem partes há muito tempo da vida religiosa e secular do Brasil. Triunfalismo barato, folhas de arruda, unção de animais (!?), mantos sagrados, músicas mercantilistas, etc, etc.

O pior é que nos sentimos profundamente ofendidos quando nos assemelham com os que não professam a mesma fé, mesmo nossas práticas demonstrando exatamente esta igualdade de atitudes. Não nos importa mais o evangelho genuino, o amor verdadeiro e incondicional por nossos irmãos, irmãs e por nosso Salvador Jesus Cristo. Somente damos ouvidos para pregações acompanhadas de promessas, mesmo que vazias, pois estamos preocupados demais em receber algo e nunca em dar alguma coisa. O mundo já funciona dessa forma deste a sua fundação, ele não esta precisando que a igreja de Cristo o ajude nesta “caminhada”.

A igreja precisa andar na contramão do mundo, na contracultura. A igreja precisa ser um lugar onde as pessoas sejam atraídas pelo amor, não pelas promessas extrabiblicas, pois uma vez que estas promessas não se cumprem, a decepção fica latente, e os que não se perdem nesse contexto acabam se influenciando por ele e enveredando pelo mesmo caminho. Contra o amor não há lei, contra o amor não há resistência.

A igreja precisa salgar o mundo, dar sabor, mas tem preferido se alimentar com os doces e guloseimas que o mundo oferece. Devemos ser diferentes do mundo, especialmente em nossas práticas. Voltemos ao verdadeiro evangelho de Cristo, que diz:


“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.”

E você? O que argumentaria caso lhe dissessem que você não é diferentes dos outros... ?

Ruy Cavalcante