24 abril, 2017

Santos em meio a depravação




Por Ruy Cavalcante

A carta de Paulo aos romanos é considerada por muitos, inclusive por mim, o documento doutrinariamente mais completo de toda a Bíblia. A partir da compreensão dela muitos eventos chaves ocorreram na história da Igreja Cristã.

Uma questão introdutória importante sobre esta carta são justamente seus destinatários.

A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos (ou ‘chamados para serem santos’)” (Rm 1:7a).

Paulo escreve aos cristãos de Roma, e que coisa incrível é haverem cristãos em Roma!

Lembremos que Roma era a capital do Império e onde sem concentravam os poderes políticos, econômicos, bélicos e onde especialmente se manifestava toda a depravação moral da cultura e sociedade greco-romana. O próprio Paulo nos dá uma descrição dessa realidade nos capítulos 1 e 2 desta carta, quando trata de toda a perversão gentílica.

Tal descrição se assemelha ao que sabemos sobre Sodoma e Gomorra, com uma diferença: mais do que um homem e suas filhas, ali se encontrava um povo chamado de santo, como uma garça branca, que mesmo vivendo em meio a lamaçais, não sujava suas vestes.

Como isso foi possível? O que aconteceu para que estas pessoas, deixando a cultura depravada, porém comum, onde foram criadas, vivessem como amados e santos de Deus? O que os transformou a ponto de se tornarem tão diferentes dos demais? A resposta é simples:

O Evangelho.

O Evangelho fez o que não era possível ser feito por qualquer outro meio. É por esta razão que Paulo inicia a conclusão de sua introdução à carta, afirmando:

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Rm 1:16).

Mesmo com tantos ataques e escárnios proferidos contra o Evangelho, mesmo com tantos riscos a quem o proclama, Paulo não podia se envergonhar dele, pois era o Evangelho, e somente o Evangelho, o único meio escolhido por Deus que, com poder eterno, realizava a obra de regeneração e salvação do homem. O poder de Deus para salvação humana está centrado, por decisão Soberana do próprio Deus, no Evangelho.

Nada mais pode fazer o que ele faz.

A mensagem que transformou aquela porção de gente outrora depravada, em santos e amados de Deus, foi a do Evangelho que agora Paulo expõe em toda carta.

Essa mesma verdade precisa voltar a aquecer o coração da igreja hoje. Não é concebível que negligenciando estas coisas, tentemos o mesmo efeito com mensagens centralizadas em coisas temporais e inócuas.

Isso jamais será possível e esta é uma das grandes razões pelo qual a igreja contemporânea pouco se difere culturalmente, em suas práticas e costumes, da sociedade onde está inserida. Não há como regenerar o coração humano com mensagens triunfalistas, reduzindo a fé a um sistema de crenças sobre coisas possíveis e tangíveis como o dinheiro e um melhor emprego.

Eis porque evangélicos em todo lugar continuam vivendo como se não conhecessem Cristo, furtando, sendo desonestos, iracundos, envolvendo-se em adultérios e corrupções políticas. Eles não conheceram e creram no Evangelho, mas em promessas finitas e muitas vezes mentirosas, proferidas por líderes perversos ou, quando muito, incautos.

Igrejas lotadas de crentes carnais, este é o resultado de uma pregação sem o verdadeiro Evangelho da Cruz. Diferente de Roma, uma cidade perversa e depravada, mas onde viviam um povo santo que foi santificado por ter conhecido tal Boa Nova.

O Evangelho, e somente o Evangelho, é o poder de Deus para salvação, e tudo o que a acompanha. Lembre-se disso.



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